7.11.08

Torpe

Um trago e o ar como arame farpado. silêncio e ferrugem, silêncio e o gosto amargo do ferro, da ferrugem salgada e vil, a vileza impenetrável de uma tarde abafada, tarde em estufa e efeito. O desenho torpe da fumaça sobe os encontros do azulejo acima, aos aleijos acima, em sua forma, em meus pensamentos acima, turvos e torpes... como a fumaça que desapruma a harmonia azul e límpida do céu da tarde, céu tardil. Eu sou um carro torpe subindo a ladeira em primeira marcha, eu despejo dióxido de carbono por todo o passeio, eu mato a cidade com meu motor torpe e poroso, meu motor de engrenagens gastas e força pouca contra o ingreme. Toda a deflagrada torpe nos meus passos largos e desassossegados, as pedras do chão em cinza, tão gastas, tão tortas e desniveladas entre si. Somos todos as pedras do chão do céu dum fim de tarde, somos todos irregulares e desnivelados, cinzas e gastos, onde os céus deflagram seus passos largos e desassossegados, aspirando da fumaça dos escapamentos e das minhas torpes narinas.




Isobel campbell & Mark lanegan - Who built the road

3.11.08

Sete a.m.

Sete da manhã e um holywood dança esfumaçante entre meus dedos finos, o café da manhã dos campeões. o céu está branco, com linhas horizontais, desenhadas pelo vento com as núvens... mas o sol acha uma fresta ou duas entre o lençol branco pra esquentar meu espírito. ouvindo Gilmour de longe e som abafado e calmante da manhã perdida entre os lençois brancos desta segunda, que aos poucos acorda.

"Somos apenas duas almas perdidas
Nadando num aquário
Ano após ano
Correndo sobre este mesmo velho chão
O que encontramos?
Os mesmos velhos medos
Queria que você estivesse aqui"



Pink floyd - Wish you were here

2.11.08

A parte que não é boa

#"Um trevo marrom e seco,
não dá sorte se não verde?
se é marrom então a perde?
se é seco então a perco?"#

a rosa despedaçada,
não dá perfume se morta?
ganha feldade se corta
sua pétala rosada?

o amanhecer nublado,
não é dia por que é escuro?
por não ser ensolarado?

e o eu que não é puro,
não sou eu por ser manchado?
por ser vil, mesquinho e duro?




Deftones - Be quiet and drive (far way)*acustic

1.11.08

E os homens dos espíritos pequenos

As putas dos peitos grandes e os homens dos espíritos pequenos, há espaço para todos nas calçadas. as putas das saias curtas e os homens das dores psíquicas tão compridas quanto uma bata, destas de padre do tal catolicísmo, há espaço pra todos no inferno, o tal inferno dos católicos, ou qualquer quarto onde se possa condernar-se sob penumbra e arrependimentos vazios. as putas dos cigarros sujos de batom, os homens e seus cigarros puritanos sujos de pudor, capazes de comer a puta e não lhe olhar nos olhos, no rosto; como almoçar no mcdonalds ao meio dia, bater o cartão as oito e as dezessete, atos - reflexo, o demônio corrosivo do cotidiano, o bom e velho demônio do dia a dia. as putas indo pra casa às cinco da manhã, atirando suas gimbas de ponta vermelha num canto da calçada. os homens que continuam encostados num canto de prédio, a fumar seus cigarros e a observar o que resta da gimba avermelhada findar sua brasa. as putas dos peitos grandes e os homens dos espíritos pequenos, há espaço para todos...



Led zeppelin - no quarter