O sangue pisado no olho.
o molho sem gosto, pão e água.
a mágoa que serra o punho, a mão.
e que em vão a palavra na boca erra.
um punhado de terra pisada no olho.
a pão e água.
a punho e mão.
a palavra e a boca errada.
o vão.
_
14.9.10
15.7.10
À ferrugem
Do lado de dentro o vento é mais forte, mais frio.
mastigo o arame das minhas palavras, e é tudo um gosto morno de ferro, a língua dilacerada das palavras à ferrugem. do lado de dentro as palavras são o que mastiga a língua e os dentes, apenas assistem mudos o atritar dos pensamentos, quietos e encolhidos com o ar frio de dentro.
Há um inverno todo do lado de dentro.
e a cidade vai assim: longe,
com as mãos frias e os olhos perdidos de inverno.
do lado de fora o rosto da cidade é mais doce.
do lado de dentro o inverno veio ter comigo,
cativou meus dedos roxos e meus dentes cerrados.
cativou a ferrugem do meu sangue
e o arame farpado das minhas palavras.
- deixa estar o inverno das horas, deixa estar...
_
mastigo o arame das minhas palavras, e é tudo um gosto morno de ferro, a língua dilacerada das palavras à ferrugem. do lado de dentro as palavras são o que mastiga a língua e os dentes, apenas assistem mudos o atritar dos pensamentos, quietos e encolhidos com o ar frio de dentro.
Há um inverno todo do lado de dentro.
e a cidade vai assim: longe,
com as mãos frias e os olhos perdidos de inverno.
do lado de fora o rosto da cidade é mais doce.
do lado de dentro o inverno veio ter comigo,
cativou meus dedos roxos e meus dentes cerrados.
cativou a ferrugem do meu sangue
e o arame farpado das minhas palavras.
- deixa estar o inverno das horas, deixa estar...
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