Vinte e dois minutos para escrever qualquer coisa. há um sol louco do lado de fora, rasgando o céu preto como se fosse papel carbono, logo vai chover, gotas de céu rasgado. há muito lixo nas calçadas, a chuva sempre entope algum lugar quando escoa, chuva como pensamento, leva o lixo das palavras sempre pra algum lugar. o que por vezes não se vê ao corriqueiro, mas sempre se vê quando chove. gotas rasgadas do céu carbônico, a entupir os cantos sujos das calçadas, a cal do tempo em vinte e dois minutos, deixa corroer o que falta correr...
gotas de carbono descascam os prédios velhos do centro,
minhas retinas como o mais velho dos prédios do centro.
chove como um hematoma, n'um céu de sangue pisado,
deixa a ferida abrir, deixa chover...
Vinte e dois minutos para escrever qualquer coisa.
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30.3.10
24.3.10
Giram
No que tem o tempo a culpa?
se a fuga é minha e tua.
se o assoite vem toda noite,
e se no fim não compensa a desculpa.
Em que tem o tempo a culpa?
Apenas o tempo o é.
a cadeira, a porta, a tua alma torta, o tempo.
cada qual uma coisa e na coisa de cada qual se acaba.
sem acabamento raro ou juramento raso que os faça outra coisa
que não o tempo que as firma a moer.
Giram na retina do olho,
até que o olho se faça a jazer.
Ter-se, involuntário e solto na exacta medida de si.
o resto é alheio, fortuna incerta do amanhã, do tempo.
e da riqueza do porvir, só se vive em palavras...
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se a fuga é minha e tua.
se o assoite vem toda noite,
e se no fim não compensa a desculpa.
Em que tem o tempo a culpa?
Apenas o tempo o é.
a cadeira, a porta, a tua alma torta, o tempo.
cada qual uma coisa e na coisa de cada qual se acaba.
sem acabamento raro ou juramento raso que os faça outra coisa
que não o tempo que as firma a moer.
Giram na retina do olho,
até que o olho se faça a jazer.
Ter-se, involuntário e solto na exacta medida de si.
o resto é alheio, fortuna incerta do amanhã, do tempo.
e da riqueza do porvir, só se vive em palavras...
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