23.11.08

vinco dourado em brasa

eu rasgo os céus noturnos com um vinco dourado em brasa e aponto meus dedos como se fossem uma arma, em direção a fortuna desgraçada do incerto, meus erros propositais, e que não haja uma letra maiúscula aqui, que não me perdoem por nenhum berro chulo que meus passos débeis construírem neste chão público e de ninguém, meus ombros atritam com os desafortunados e lentos transeuntes dos cinco palmos de calçada que cabem aos com pernas e não com rodas, o estralo das vértebras do pescoço e um trago, dois tragos, eu sou o maldito gerúndio do verbo ir, o inacabado, o ineterrúpto, o inominado, sem um maldito ponto final, sem ao menos um maldito ponto final...


eu rasgo os céus noturnos com um estilhaço flamejante e vívido, disperçando fumaça por entre meus rachados lábios, e aponto meus dedos alvos e maculados de nicotina, como se fossem um enferrujado revolver, em direção a sorte da penumbra de cada esquina incerta, sem um parvo ponto final ou uma demente letra maiúscula


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" O olho vivo com que vês
Até o seu conteúdo
Me aparta de minhas vestes
E como um deus vou desnudo"


A vendedora de roupas
Stéphane mallarmé



mark lanegan - skeletal history

21.11.08

Renascer

Por vezes é bom abrir os olhos antes do sol, sentir a brisa gélida da penumbra, a morte do sono do dia... o cheiro de mato úmido tomando as fossas das minhas narinas,as gotas d'água repousando no encontro das folhas, os pássaros arriscando seus primeiros vôos do dia, o perfume das coisas como se estas, nascessem para o mundo agora, neste exato instante de tempo. essa ilusão de que o mundo renascera com esse fio de calor que rasga as nuvéns do pós - madrugada, este fio de calor perdido nas primeiras piscadas do sol, essa sensação pacífica de estar vivo, é revigorante.



Led zeppelin - No quarter