29.9.08

A picada da Víbora

Um dia Zaratustra adormeceu sob uma figueira, por que fazia calor e tapava o rosto com o braço. Nisto chegou uma víbora e mordeu-lhe o pescoço. ele soltou um grito de dor, afastando o braço do rosto ele olhou a serpente. Quando esta reconheceu os olhos de Zaratustra, contorceu-se desajeitadamente e tentou se retirar. "Não! - disse Zaratustra - despertaste-me a tempo! pois meu caminho ainda é longo." "Teu caminho não é mais longo - disse tristemente a víbora - pois meu veneno é mortal." Zaratustra pôs-se a rir. "Desde quando o veneno de uma serpente matou um dragão? - disse. reabsorve teu veneno, não és suficientemente rica para dá-lo de presente." então a víbora voltou a enlaçar-lhe o pescoço e lambeu-lhe a ferida.


Assim falava Zaratustra.



- que me atiram pedras, mas que me fere ? o covarde agressor que se esconde atras das pedras ou a força das pedras sobre meus ossos?




Bob dylan - Master of war

26.9.08

O mundo é a banca, a banca nunca perde.

Sentado com cinco cartas na mão e um punhado de outras sobre a mesa. o meu ódio do mundo como um jogo de cartas. mão boa, mão ruim... deito as cartas na mesa de face virada, fumo um cigarro e tento não jogar. o mundo sempre tem uma mão boa, o mundo sempre te faz jogar mais uma partida. o mundo te esfrega na cara que é preciso jogar. apaga o cigarro na palma de tua mão e te faz jogar mais uma mão. te dá um soco na cara como o valentão da escola e te chama com a ponta dos dedos pra briga com um sorríso de canto de boca. o mundo é a banca, a banca nunca perde. o mundo são os outros, e os outros tem tantas cartas, e você... só as suas cinco. Sentado, com cinco cartas na mão e um punhado de outras sobre a mesa, o meu ódio do mundo como um jogo de cartas.


Acender um outro cigarro e entrar no jogo, pedir mais uma carta...




Townes van zandt - Snake song