Articulo qualquer pedaço de convivío constrangido, na penumbra sociabilizada do convívio, redundância de convívio, a sinfonia descompassada das conversas, bocas e pessoas distantes, gente e idéias distantes, que se contrapõem a mim, em essência, como uma pedra ou uma lata amassada, semelhança é que todos circundam o meio fio, como pombos de asas destroçadas.
Sartre diz que o inferno são os outros, mas Sartre diz antes de tudo que o inferno é a perpetuação do convívio com os outros, dividir-se em particularidades com os outros, se dispor como quem empresta o cigarro da boca pra outrem. é a falta do espelho, do ver a si, é a eternidade refletida na córnea avermelhada do alheio.
céu sujo e coxo, rasgado por pombos de vôos tortos, com suas asas destroçadas.
"l'enfer c'est les autres"
"Pois é, continuemos!"
e n'uma piscada, todas as cortinas descem...
o inferno mora em não poder piscar.
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14.4.10
30.3.10
22
Vinte e dois minutos para escrever qualquer coisa. há um sol louco do lado de fora, rasgando o céu preto como se fosse papel carbono, logo vai chover, gotas de céu rasgado. há muito lixo nas calçadas, a chuva sempre entope algum lugar quando escoa, chuva como pensamento, leva o lixo das palavras sempre pra algum lugar. o que por vezes não se vê ao corriqueiro, mas sempre se vê quando chove. gotas rasgadas do céu carbônico, a entupir os cantos sujos das calçadas, a cal do tempo em vinte e dois minutos, deixa corroer o que falta correr...
gotas de carbono descascam os prédios velhos do centro,
minhas retinas como o mais velho dos prédios do centro.
chove como um hematoma, n'um céu de sangue pisado,
deixa a ferida abrir, deixa chover...
Vinte e dois minutos para escrever qualquer coisa.
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gotas de carbono descascam os prédios velhos do centro,
minhas retinas como o mais velho dos prédios do centro.
chove como um hematoma, n'um céu de sangue pisado,
deixa a ferida abrir, deixa chover...
Vinte e dois minutos para escrever qualquer coisa.
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