24.3.10

Giram

No que tem o tempo a culpa?
se a fuga é minha e tua.
se o assoite vem toda noite,
e se no fim não compensa a desculpa.

Em que tem o tempo a culpa?



Apenas o tempo o é.
a cadeira, a porta, a tua alma torta, o tempo.
cada qual uma coisa e na coisa de cada qual se acaba.
sem acabamento raro ou juramento raso que os faça outra coisa
que não o tempo que as firma a moer.


Giram na retina do olho,
até que o olho se faça a jazer.



Ter-se, involuntário e solto na exacta medida de si.
o resto é alheio, fortuna incerta do amanhã, do tempo.
e da riqueza do porvir, só se vive em palavras...



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7.3.10

Insipidus

E de tanto pensar,
faleceu o homem na plena primavera de seus pensamentos,
abraçado ao perfume insípido de suas reflexões.

Morreu com os braços cruzados, colados ao peito.
achando consigo, em pensamento, que abraçara o mundo inteiro.


Faleceu. e de tanto pensar, pensou uma primavera inteira.


Faleceu. e as flores primaveris do pensamento não perfumaram suas mãos.


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