Os sonhos estalados em arvoredos murchos de outono, idéias tão singelas que o tempo esfarrapou nos cantos das horas, como poeira que corre como as crianças dentro de casa. eu escrevo num estalo só, como uma chuva de cinco minutos, dessas de verão, todas as estações em menos de oito vírgulas, em menos de oito tempos meus, oito notas minhas, oito estalos de arvoredos desfeitos em oito segredos que se esfarrapam pelo chão.
As calçadas das horas, as calçadas das horas e dos outros tão distantes como um eu que desconheço e por vezes até evito.
- são todos estrangeiros amontoados em si própios.
como um trêm lotado de gente que só olha pelas janelas, que só vê o reflexo agudo e distante dos arvoredos e uma silueta ensolarada de si, nada além.
assim segue o trêm do avesso, do estranho, do não. mas aceito o mau me quer dos outros, o mau me quer de mim, aceito como aceito o sol fino e açucarado do amanhecer na estação de trêm, aceito como o pássaro que canta para si mesmo no galho murcho do arvoredo que dá para a entrada da estação, aceito como o velho homem que já tão cedo senta - se no banco de fronte a entrada da estação, do outro lado da rua e observa, o mar de pernas tão estranhas entre si, observa com seus olhos já tão cansados da vida, as pernas que já tão cedo seguem já cansadas da vida, sem se conhecer umas as outras.
e o tempo segue, esfarrapado por entre os cantos da casa.
e o trêm segue...
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10.11.09
4.11.09
Vôo
Parece-me tão vívido, não obstante estar dormente, assim... como o vôo perene dos pássaros no fim da tarde, como o debruçar do sol sobre o lado de lá, como a sombra da árvore que a cada instante vai mais longe, no fim da tarde todos vão embora.
todos os pássaros, todos os cantos, todos vãos, e embora vãos, preenchem o silêncio em cada gota perdida, cada gota caustica de silêncio que corroe o algodão fino e gasto de mim, boracos n'um céu branco de algodão que não amortece nenhuma gota de garoa do fim da tarde, que não amortece nenhuma luminosiade dos astros que ao fim dos céus infartam um a um.
estrelas morrem como a tarde, sobre o vôo perene dos pássaros que sempre dizem adeus.
Silêncio murmurado das árvores, diz melhor que eu do estalo das asas dos pássaros sobre o lado de lá, sobre o sol que arde manso nos olhos ao morrer, deixa estar o silêncio das coisas em mim como um desses pássaros que sabem ser melhor estar do lado de lá.
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todos os pássaros, todos os cantos, todos vãos, e embora vãos, preenchem o silêncio em cada gota perdida, cada gota caustica de silêncio que corroe o algodão fino e gasto de mim, boracos n'um céu branco de algodão que não amortece nenhuma gota de garoa do fim da tarde, que não amortece nenhuma luminosiade dos astros que ao fim dos céus infartam um a um.
estrelas morrem como a tarde, sobre o vôo perene dos pássaros que sempre dizem adeus.
Silêncio murmurado das árvores, diz melhor que eu do estalo das asas dos pássaros sobre o lado de lá, sobre o sol que arde manso nos olhos ao morrer, deixa estar o silêncio das coisas em mim como um desses pássaros que sabem ser melhor estar do lado de lá.
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