29.10.09

Folha verde

Pessoas planam como folhas outonais, voam secas
até os grandes círculos de água e nadam, nadam... nada.
os velhos veios grafados nas folhas, como um rosto
posto sobre as bolhas de ar, há.

Pessoas estalam como os troncos das árvores e sussuram quietas
o que o cupim de seu pensamento quase oco na madeira corta... morta.


as pessoas planam como folhas secas, e estilhaçam...
e findam como em um inverno qualquer e balançam
morosas como velas de barcos mortos sobre as poças
sujas e redondas, todo um oceano de poças sujas.



au revoir, vert feuille...


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18.10.09

Ébrio

O velho dançarino sem dama, maldito e bêbado a se entortar pelo meio fio, dança com o álcool a solidão de suas pernas, balança como se o chão fosse o fundo da panela das pipocas. roda pedaço de pano sujo que a rua desenhou uma boca de palhaço, boca de barro sujo, boca suja da sargeta, dança no vento doido que rodopia na dobra da rua. na boca o gosto do vinho, o ninho da uva podre, na mão o que coube foi o cobre do cabo do guarda chuva, uva podre dança no céu da boca, oca no véu do teto de estrelas e escombros, nos ombros tombos soluçantes de pensamentos que em instantes desabam como chuva. e a rima com ele desaba, e a música do álcool com ele desmaia...

e a lua em seu rosto parvo raia, um fio de branda chama, e a sargeta dura se faz macia cama, para o velho dançarino sem dama.


- e preto, seu guarda - chuva maltrapilho dorme armado caprichosamente nos enganchos da parede, sobre sua cabeça, e quem vê de longe, é como se um corvo que o amasse não quisesse permitir que a noite chuvosa lhe afogasse os sonhos.


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