Deftones - Lotion
19.1.09
Cíclico
A primeira gota de chuva cai silenciosa e pacífica sobre meu rosto, gelada e aguda, se estilhaça no canto morno da minha face, sem a menor preocupação do mundo em mantê - la viva ou matar o calor pungente e sangüíneo que trafega em minhas carbônicas artérias. Sem revisão, gramatical ou sintética, sem re - visão, ocular ou sensitiva: O sol desfacela as nuvéns com o mais firme dos socos, um soco com 37 graus e algumas milhas que suicidam as gotas pacíficas e sangüineas na minha face pungente, ( do céu ao chão, num atemporal vão ) arterial, neste meu rosto cheio de veias carbônicas, orgânicas e findas, findas e perfeitas por serem findas, pois como os astros, tudo que por palavras foi materializado sabe que existe e que em mim, por mim e comigo será findado, silencioso e pacífico como a gota mais aguda e esférica que morre em meu rosto morno e em minhas palavras cíclicas.
Deftones - Lotion
Deftones - Lotion
9.1.09
Arranha - céus, céus arranhados
Passos gigantes como o ronco grave dos motores dos coletivos e uma alma tão pequena quanto a sujeira que entra no olho e faz chorar... será o contrário? será um avesso grafado na garganta inflamada, irritada e demente de tantas palavras gritáveis e sufocadas? Será uma alma tão grande quanto o espaço entre a calçada suja dos jornais já lidos, dos plásticos bio indegradáveis dos fastfoods cancerígenos, deste chão até a luz mais alta, a última luz entre os arranha - céus em concreto e os céus arranhados e doentes de poluição, será esta a medida maior? Será tudo uma grande sujeira que entra nos olhos dos céus arranhados e os faz chorar? O chão é tão sujo e os céus tão bolorentos, é tudo uma casa mal cuidada e fétida. Garrafas d'água e latas de cerveja e de refrigerante e sacos de salgadinhos gordurosos e gimbas e caixas de cigarros já vazias e sacolas pretas e cinzas e brancas e copos de plástico e gente dormindo junto a saída do metrô e toda uma reza murmurada com o pensamento de causar a falta de ar nos olhos e a fadiga na língua quieta só de pensar em ser castigada a ler as coisas sujas e doloridas do urbano. o mundo urbano é uma total falta de vírgulas e de paz exterior, o ser urbano é uma voz contínua e incalável, ao passo que inaudível ...
"and a little rain, never hurt no one.
and a little rain, never hurt no one..."
Tom waits - Little rain ( For clyde )
"and a little rain, never hurt no one.
and a little rain, never hurt no one..."
Tom waits - Little rain ( For clyde )
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