6.1.09

Coisas brilhantes

Com a pulseira quebrada, o relógio de pulso viaja infermo no bolso, com algumas moedas e a caixa de cigarros pela metade, num ruído metálico no rítmo dos passos, um relógio velho e arranhado. algumas moedas de dinheiro pequeno, sujas e foscas, o homem segue com passos foscos, com olhos estatelados e sujos, o caminho velho e arranhado em direção a qualquer coisa que conserte suas horas quebradas e devolva o controle do tempo ao seu pulso.


" As coisas que um corvo coloca em seu ninho
são sempre coisas que ele acha melhor pois são brilhantes,
De alguma forma eles encontrarão um centavo brilhante,
um fio de prata de um cordão,
Os corvos sempre andam com coisas brilhantes...

Deixe-me sozinho senhora grande Lua
A luz que você eleva é apenas uma mentira
Você é como os corvos, porque se faz brilhar
Você está vestida para ir embora,
eu sei que você adivinhou...
Você sempre se agarra às coisas brilhantes.

Nós vamos, eu não dançarei esta noite,
se virando com as coisas que se têm,
Embora eu só queira as coisas brilhantes,
embora eu só queira me tornar um rei,
um rei para seus olhos,
Para ser a sua única coisa brilhante..."



Tom waits - Shiny things


23.12.08

Azul e pardo

Da janela do coletivo eu vejo a tarde desmanchando o azul em tons pardos, mesmo com os vidros fechados se pode sentir o cheiro típico da brisa fria do fim da tarde, daquelas que assoviam... que fazem dançar os plásticos e os papéis amassados e irrecicláveis dos cantos da sarjeta. gente irreciclável e amassada correndo sobre o verde acinzentado do Ibirapuera, da janela do coletivo eu vejo tantas grandes pequenas coisas.
Se você olhar para o canto da avenida e simplesmente olhar, nas linhas pontilhadas das faixas, elas viram uma única linha, branca e uniforme. se você olhar os rostos, às dúzias nos pontos, se você apenas olhar, de forma simples, eles se tornaram abstratos, como um segmento pontilhado e branco no asfalto... como uma imagem secundária, borrando o límpido do pósvir na vidraça do coletivo.
Eu encosto minha testa no incolor cheio de arranhões da vidraça, o mundo corre num gerúndio azul e pardo, o mundo corre desesperado sobre meus olhos mansos e certos do que não sabem, exatos e sem surpresas do que nunca viram, do que nunca virão. exatos como o azul e pardo do fim da tarde, do assovio frio que pressageia a noite, exatos como os vincos feitos aos arranhões no vidro outrora límpido da janela que escora meus olhos e meus pensamentos sobre o mundo que corre la fora, rápido e longe de mim, rápido e totalmente avesso a mim e a meus olhos pardos e azuis.


Mark lanegan - Bell black ocean