Deftones - Rx queen
7.12.08
O primeiro calor da manhã
Acordar cedo e o cheiro frio, o cheiro de arder as narinas, o cheiro ácido da madrugada... Fazer a barba. três navalhadas e o sono me tira uma farpa de pele, um fio de sangue escorre, uma linha vermelha anda calmamente, vertical sobre o branco do sabão, um ardor morno, agudo, a navalha é mestra na arte de tirar sangue, o corte demora para calar - se, me rouba o sangue às gotas, às gotas. mochila surrada, sapatos e calças surradas, cara surrada, um vento duro e gélido no peito e um mundo surrado sob os passos, a pressa sobre o corpo que ainda dorme, as pernas forçadas a andar rápido, os pulmões a tragar o primeiro calor do dia, vindo dum filtro de Hollywood, toda paz do mundo amarrada na rudeza dos rostos duros no coletivo e nos berros eclodindo, berros bravíos do meu mp3, ecoando agressivos contra meu cansaço. Chego ao centro e o cheiro frio de urina do Anhangabaú me rouba um sorríso dolorido e grave, essa cidade toda está morta, as pessoas, as calçadas, as muretas, os pombos a ciscar, as paredes sujas e pixadas, toda a cidade como uma óde ao silêncio das cousas, a paz hiperbólica do que se observa calado, mesmo com os gritos dos pneus e os blabladear dos que não se entendem, a cidade é um silêncio gelado da madrugada e fedendo a urina e um cinza - Anhangabaú. e o que restou da manhã foi só o gosto amargo de cigarro na boca e o corte meio fundo da navalha que o vento do fim da tarde faz arder no pescoço. carpe diem.
Deftones - Rx queen
Deftones - Rx queen
Johann Wolfgang von Goethe
Uma afronte a Fausto...
~ Mater amorosa ~
(Na encosta esverdeada da muralha, a imagem
da Senhora dos amores, com jarras de flores a cercando.)
FLOR DE JASMIM, pondo perfume nas jarras:
Oh! não suma,
Senhora que a alma perfuma,
A graça desse olhar à minha certa sorte!
Com a espada na bainha,
O coração servo de uma rainha,
Contemplas, fervorosa, o teu Filho sob o norte.
Ergues a Deus o olhar,
E com teu suspirar
Pedes que o Amor seja mais que forte.
Quem sente
O ardente
Fogo a acender - me o espírito?
Como este pobre peito suspira,
Pelo amor que a alma cumprira,
A obrigação perfeita de ser vivo para o infinito!
Para onde quer que eu for,
Que cor, que cor, que cor...
Aqui, dentro de nós!
E, mal estou em mim,
Una - te a minha alma,
Sorrio, sorrio sem fim.
Os vasos da janela,
D'amor reguei.
Quando hoje de madrugada,
Com as flores de mim te cortejei.
E logo que ao nascer
O sol no quarto entrou,
Já disposto na janela
A sorrir me encontrou.
Guarda - me! livra-me da ausência, me conforte!
Oh! não suma,
Senhora que a alma perfuma,
A graça desse olhar à minha certa sorte!
~ Mater amorosa ~
(Na encosta esverdeada da muralha, a imagem
da Senhora dos amores, com jarras de flores a cercando.)
FLOR DE JASMIM, pondo perfume nas jarras:
Oh! não suma,
Senhora que a alma perfuma,
A graça desse olhar à minha certa sorte!
Com a espada na bainha,
O coração servo de uma rainha,
Contemplas, fervorosa, o teu Filho sob o norte.
Ergues a Deus o olhar,
E com teu suspirar
Pedes que o Amor seja mais que forte.
Quem sente
O ardente
Fogo a acender - me o espírito?
Como este pobre peito suspira,
Pelo amor que a alma cumprira,
A obrigação perfeita de ser vivo para o infinito!
Para onde quer que eu for,
Que cor, que cor, que cor...
Aqui, dentro de nós!
E, mal estou em mim,
Una - te a minha alma,
Sorrio, sorrio sem fim.
Os vasos da janela,
D'amor reguei.
Quando hoje de madrugada,
Com as flores de mim te cortejei.
E logo que ao nascer
O sol no quarto entrou,
Já disposto na janela
A sorrir me encontrou.
Guarda - me! livra-me da ausência, me conforte!
Oh! não suma,
Senhora que a alma perfuma,
A graça desse olhar à minha certa sorte!
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