11.11.08

Moedas

Com uns seis anos, o menino cego do olho direito entra vagão a vagão, descalço e com as roupas amareladas e sujas nas barras, ele pede as moedas que chaqüalham nos bolsos, as moedas que vão dormir no canto das estante quando você chegar exausto em casa, as moedas que você vai comprar um cigarro, uma bala, as moedas que você vai perder quando correr para pegar o ônibus ou se proteger da chuva num canto coberto, ele apenas quer as moedas, sua mão suja e pequena se estente na direção de todos, o vagão dos bancos lotados, um ou dois escavaqueiam os bolsos atras do que ele precisa pra sobreviver, as malditas moedas que não te servem de nada, mas que são a única coisa que ele precisa. Pro inferno com a terra das moedas valiosas, Pro inferno com a terra das moedas que não valem nada, Pro inferno com a terra das moedas que valem uma vida.



Rage against the machine - Freedon

10.11.08

A normalidade parda e pulsante

Eu ando, mas meus pés já reclamam comigo por qualquer meia dúzia de calçadas, as pessoas e suas caras grossas de individualidade, meus sapatos e suas solas finas e gastas, meus dedos sufocados contra o plástico do calçado, comprimidos uns contra os outros, seguindo a vontade dos meus pés, da minha cabeça obtusa de pensamentos rasos e auto sustentáveis, meus pensamentos finos e gastos. passos perdidos subindo a escadaria da Nove de julho que dá na Caio prado, estaciono sobre uma poça d'água num dos intervalos da escadaria e acendo um de meus amassados cigarros, enquanto a chama falha eu me vejo tortuoso na poça, um desenho mal colorido de mim e do céu branco e pesado do fim da tarde. quatro segundos até acender o tabaco, um fio grosso de fumaça se despreende de mim e sobe livre do cigarro, de mim. eu continuo subindo a escadaria, explodindo todas as poças do caminho, magoando meus dedos contra o interno dos sapatos, cultivando cinzas dos meus tragos por toda Caio prado, seguindo a normalidade parda e pulsante de um fim de tarde tipicamente urbano, nesta terra de concreto e poças de espelhos sujos.



* A paz é um pedaço de bem querer feito com as letras que te deram como nome.


Uncle tupelo - Moonshiner